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"CHACINA DE NATAL" COMPLETA 30 ANOS

Atualizado em 27/12/12
Por J. Ray Lima

Quem viveu de perto a tragédia guarda tristes memórias e não tem motivos para festejar a data.

A família Almeida, uma das pioneiras aqui da cidade, não comemora o Natal e nem gosta de falar do que aconteceu.

Vinte e cinco de dezembro traz à memória de seus membros a fatídica madrugada em que Iranduba viu-se banhado em sangue.

O ano era 1982...

Na sede do extinto Grêmio Recreativo Municipal, no bairro Vai-Quem-Quer, hoje são Francisco, transcorria uma festa de confraternização natalina.

Pouco depois da meia-noite, um desentendimento entre pessoas que participavam do evento resultou em troca de tapas.

O empresário do ramo de extração de lenha conhecido como “Zé Careca”, que morava em frente ao clube e saíra em desvantagem na luta corporal, foi em casa, armou-se com uma faca e um revólver e voltou para a festa.

Os minutos seguintes foram de tiros, facadas e muito desespero.

Américo Almeida, um dos dirigentes da agremiação; o comerciante Raimundo “Buga” e um idoso de pré-nome Murilo, que morava no Paraná do Iranduba, foram esfaqueados e mortos no local.

O agricultor Manoel Garcia Rodrigues – o “Dário” morreu na travessia entre o Cacau-Pirera e Manaus.
Segundo testemunhas, pelo menos outras seis pessoas ficaram feridas.

Horas mais tarde, ao amanhecer do dia de Natal, familiares e amigos das vítimas da chacina tomaram o assassino das mãos da Polícia e o mataram a tiros e punhaladas.

Um dos sobreviventes daquela noite sinistra, que marcou para sempre as vidas de várias famílias que habitavam a pequena vila, foi o pedreiro Zilmar Correa Teixeira (“Cabeça de Porco”), que tinha 17 anos à época. Ele foi atingido com várias facadas e ficou com as vísceras expostas. Até hoje Zilmar tem marcas nos braços, barriga e costas. Ele lembra a dificuldade que enfrentou para chegar a Manaus em busca de atendimento no Hospital Getúlio Vargas, pois era madrugada, não havia balsa naquele horário, a pequena embarcação disponibilizada não deu conta de fazer a travessia, foi preciso outra um pouco maior. Nesse ínterim, ele viu o amigo “Dário”, que também fora esfaqueado, morrer antes de chegar à capital...

A Professora aposentada Izabel Franco Elias, atual Presidenta da APAE de Iranduba também recorda com tristeza a noite de Natal de 1982. Ela estava com 40 dias de resguardo da filha mais nova, Maria Izabel, quando recebeu a notícia de que o marido, Manoel Garcia “Dário”, que havia saído de casa para ir à festa com amigos, estava morto.

Para “Izabelzinha”, como é carinhosamente chamada, foi Deus quem lhe deu força e direcionamento para vencer todas as dificuldades e criar os sete filhos pequenos, hoje todos adultos.

O clube onde ocorreu a tragédia foi posteriormente comprado pela Prefeitura de Iranduba, na primeira gestão do Prefeito Nelson Maranhão, e transformado em uma creche. Tempos depois, passou a ser o Garajão da própria Prefeitura.

Hoje, sem qualquer edificação sobre si, o terreno guarda as memórias de um Natal sangrento que ocorreu há 30 anos, mas abriu feridas nos corações das cinco famílias enlutadas, as quais somente Deus poderá cicatrizar.

Fonte: Facebook

 

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