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É proibido proibir!

Atualizado em 31/10/11
Por Valmir Lima

No início de minha longa juventude, com colegas de rua (ou beco, onde morávamos), formavamos um grupo de ciclistas nos fins de semana e saíamos a passear. Um dos destinos era o outro lado do Rio Negro. Pegávamos a balsa (numa época em que só elas faziam a travessia) e seguíamos pela Rodovia AM-070 (Iranduba-Manacapuru) até os sítios de conhecidos, entrando em ramal no quilômetro 8 e seguinte mais 25 minutos pedalando. Era um lazer com muito sacrifício que fazíamos aos domingos, mas muito compensador ao espírito e ao corpo.

Não eram poucas as vezes em que éramos ultrapassados por ciclistas bem equipados, com suas ‘bicicletas de corrida’, seguindo para Manacapuru. E ficávamos imaginado quando teríamos coragem de pedalar aqueles 80 quilômetros de estrada, correndo o risco numa pista de mão dupla com faixas únicas na ida e na volta e carros ‘tirando fino’, a 120 quilômetros por hora. Nunca criamos coragem, como também nunca soubemos de nenhum acidente com cliclistas (é claro que pode ter havido, mas com uma raridade que a memória é incapaz de guardar).

Quando foi anunciada a construção da ponte sobre o Rio Negro, fiquei a imaginar quanta gente poderia fazer esse percurso de bicicleta, para Iranduba, para Manacapuru, para Novo Airão ou para os sítios que frequentávamos e cujas águas dos igarapés compensavam qualquer sacrifício. Um dia, quando a obra já estava avançada e os primeiros tabuleiros montados, surgiu uma questão: a ponte terá ciclovia? A resposta dos responsáveis pela obra foi “não”.

Mas ficamos a pensar que nem tudo estaria perdido, que os ciclistas ficariam misturados aos carros, mas passariam pela ponte sem grandes problemas. Eis que a obra foi inaugurado e, dias antes do evento, vem a notícia: bicicletas não podem passar. A notícia lembrou-me um desenho animado antigo do Snoop (‘Snoop, volta pra casa’) em que ele queria chegar a um destino, mas o transporte e os locais que precisava acessar tinham sempre uma placa: ‘Proibido para cães’.

Na semana passada, um amigo tão indignado quanto eu, mandou-me via e-mail alguns artigos do Código de Trânsito Brasileiro. O Artigo 21 estabelece: “Compete aos órgãos de trânsito planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e PROMOVER o desenvolvimento da circulação e da segurança de bicicletas. O que será que isso significa, ‘doutora’ Mônica Melo? Podemos explicar (eu e meu amigo): significa que o Detran deve promover e não impedir o uso de biclicleta, inclusiva na Ponte Rio Negro, onde a velocidade máxima é 60km/h e poderia ser ainda menor, já que a maioria das pessoas que usam a ponte quer curtir a travessia e não tem pressa de chegar do outro lado. E, diga-se, não se ganha mais que um minuto trafegando a 40 km/h em vez de 60km/h.

Proibir o tráfego de ciclistas na ponte é um ato claro de desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro. Para corrigir um erro, o Detran buscou caminho mais fácil. A regra para proibir um veículos de circular em determinada via é o risco que ele representa para outros veículos ou pedestres. Não é o caso das bicicletas na ponte.


Fonte: D24am Blog do Valmir Lima


 

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